quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Uma experiência por 50 reais



Você sai do trabalho, na hora do almoço, quer matar a fome de sexo com 
uma garota de programa e acaba por ganhar um texto, é possível?
Dá para dizer que paguei por esse material? Será a jovem co autora 
de história? Quem sabe?


Em um dia ensolarado de novembro, decido dar mais uma chance a jovem
profissional do sexo. Alguém com quem já tinha tido outras experiências,
bem satisfatórias e a quem fazia questão de procurar de tempos em tempos.


Ora presente, ora aposentada, algo comum em jovens de baixa renda, 
forçadas a vender o corpo, porém sempre com a vontade de mudar de vida,
dentre outros casos.


Três semanas atrás a encontrei, o preço tinha aumentado e a atitude não era como me lembrava.
Ríspida, sem falar muito, relutou em tirar os sapatos, não me deixou tocar nos seios devido a um
piercing em um dos mamilos. Não me deixou no clima e de raiva a comi de pau mole mesmo.


Foi violento e sujo, passava a mão, mas tinha vontade de bater, de agredir, de manchar aquela pele
branquinha, de ouvi-la gritar e chorar de dor, já que durante a relação, fez questão de ficar em silêncio.
A segurava firme e socava sem dó, naturalmente o pênis endureceu. Uma mistura e alegria e raiva 
dominou o momento até o fim. Quando gozei aliviado.


Termina a sessão de tortura e prazer, me vesti e a vi sair sem dar tchau.
Depois daquela experiência passei dias com a sensação de que havia feito algo errado
. Abusando daquela jovem, forçando-a. A culpa me acompanhou inutilmente por alguns dias, 
já que ela foi paga pelo serviço mau prestado. Eu é fora abusado.


Escrevo esse texto pois acabo de voltar, pela última vez, daquele cabaré. Paguei e não transei.
A reencontrei e em seu rosto a mesma expressão vazia de antes, eu era mais um cliente.
Não ligo. Precisava dar mais uma chance para ela, tinha saudade de seu corpo macio e firme,
de sua pele lisa e branquinha, do cheiro e do sabor do suor.


No quanto não falou nada, me reconheceu e não havia necessidade de explicar os preços.
Pedi o programa mais curto, pois a estava testando. Será que mudou de atitude, pensei.
Ela sai para registrar o programa e quando volta se mostra mais antipática que da outra vez,
se recusa a tirar os sapatos, não quer que a toque, resultado, a vontade virou ódio e desejo
de violência.
- Vamos, deite-se.
Me ordena.
-Você não vai tirar os sapatos?
Incomodada me responde:
- Não precisa.
O tom de voz aumenta e fica sério, não estava brincando.
- Eu não gosto com sapatos.
Ela responde a altura.
-Eu não quero tirar.
Sem saída decido.
-Então cancela.
Para mim não havia mais condições, a única coisa que me daria prazer  naquele momento seria
agredi-la e isso eu não poderia fazer.


   Me informou  que não me devolveram o dinheiro. Mesmo sabendo que era verdade decidi pedir.
No salão principal procurei o gerente e de fato o dinheiro não foi devolvido. Elas precisam se proteger,
se todos que reclamassem de algo tivessem o dinheiro de volta, elas não poderiam transferir suas
angústias e descontentamento ao cliente. Para essas jovens somos também mercadoria, e em
um mercado informal, apenas os mais cautelosos se preocupam com o feedback. O que não falta
são homens em busca de diversão barata com elas jovens.
Após uma representante do chefe me dizer que não haveria devolução, sou fuzilado com olhares
de sátira, risos discretos por parte de outras garotas, como de um segurança mal encarado.
Enquanto saio deixo um recado a jovem, que não prestou um bom serviço.
-Parabéns, ganhou de graça hoje.
Dona da situação me responde em tom de deboche.
-Obrigada.


Sigo pelo sol, quente demais, o caminho é lotado, muita gente, mais uma quarta-feira a tarde 
no centro da cidade.
A frente do computador, com mais vinte minutos de intervalo, com fome e com as bolas cheias,
repenso no ocorrido. Em como estava odiando as mulheres.
Então lembrei que tenho mãe e irmã que amo muito.
Então em como estava odiando as mulheres jovens de hoje em dia,
para após refleti que tive apenas uma experiência ruim com uma garota de programa
e que seria desonesto apontar minha irritação a um mundo de pessoas, com seus
problemas e alegrias. A raiva agora vai para ela, a prostituta não profissional que levou
cinquenta reais naquela tarde. É a hora de questionar se era correto guardar raiva de alguém,
principalmente uma garota jovem e bonita que espera clientes no meio da tarde, que luta e engana
por baixo valor. Talvez aquele dinheiro tenha mais importância para ela do que para mim.
Terminei com ódio de mim, por seguir nesse caminho e não me apaixonar por ninguém.
No fim não há mais ódio. Existe apenas um texto escrito, do início ao fim, algo que a
muito não fazia.

Será essa uma sessão de terapia para o famoso bloqueio criativo, será o ódio
melhor combustível para um autor do que o amor. Quem sabe?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mudança de conceitos pelo tempo e o “pau duro”

Não há quem enganar, apenas o desejo carnal por uma boa “transa” com uma mulher gostosa. Não há maneira de crescer corretamente, a vida em sociedade, uma sociedade democrática, que procura corrigir os erros do passado e transformar o futuro em um lugar justo vai passar por descontentamento de alguns. Que fique claro que o agressor será sempre o agressor, não importa o contexto. Políticas de conscientização são necessárias a um povo que foi abandonado a própria sorte e teve que se criar sozinho.
Após me desculpar antes de escrever, venho aqui expor apenas um desabafo de um homem que não é perfeito, mas que não é um bandido. Alguém que nunca vai fazer mau a nenhuma pessoa que goze de seu direito de livre escolha, mesmo que indiretamente, e sem o dever de responsabilizar a pessoa que apenas exerce seu direito de ir e vir.
­– Caralho, como é difícil! Uma tentação louca, passar por tantos seios e coxas a mostra. Passar por tantas bundinhas e bundões apertados em roupas minúsculas. É um desfile de carnes que ocorre a todo o momento. Porque, será que é a liberdade de apenas andar como quer, ou existe também o desejo de seduzir, de provocar, de chamar a atenção de todos?
–Olhem!  olhem como sou bonita, olhem como sou gostosa, você não quer me comer? Não quer colocar o pênis aqui? Bom, sinto muito queridão. Embora eu me vista e haja como um objeto sou uma mulher com sonhos e desejos próprios e apenas o usei para elevar minha autoestima.
Eu sei que o texto é machista, é uma generalização as mulheres, é ignorar os anos de machismo e sexismo que tantas vitimas fizeram. É como dizer que todos os negros  são vagabundos ou que todos os gays são promíscuos e se vendem, mas o mais curioso é como apesar de limitar pelos direitos humanos ainda tenho dentro de mim vários preconceitos, acho que isso é a prova de que ninguém é perfeito e que o respeito é um exercício necessário para a boa convivência em sociedade , assim como o sentimento de inferioridade pode ser uma arma enorme para a injustiça de um grupo.